domingo, 1 de setembro de 2013
Presságio 23
Pai e mãe, que saudades.. tantas. Saudades daqueles tempos em que nada era tão sério assim e gente fazia questão de achar que fosse. De saber que às vezes de sábado tinha doce e bolo sem precisar pedir, das noites que ele chegava no jornal e antes do jantar e todo dia era o mesmo e aos finais de semana era a construção da nossa casa, tao linda e tão breve.. nunca achei que fosse ser eu o tão carente deste tempo nosso. Eu era outro tipo de acontecimento, era movimento. Mas parei, retomei, vi o tempo que passou, as marcas, as tristezas, os pesares, mas além e acima de tudo alegria de um novo tipo de sensação, mudada, forte, bonita. Um ato, um essência óbvia e pequena e minúscula para expressar aquilo que realmente e honestamente sinto. é pouco demais.. Pai não chegaremos nunca ao lugar de que me falou? quando chegaremos?...É tarde, os pensamentos não são os mesmos, é emoção... Gostaria que este setembro os 23 traga um tipo de conforto da repetição que vivo. Saudades mãe...
Reconhecendo a existência do outro.
Abandono. Está fora de tudo aquilo que se fixava, se retinha. Estava parado e o movimento não era de fácil desprezo ou esquecimento, tudo vinha comigo carregando pedaços e mais pedaços deste caráter. Na selva estou a frente da fera, escura e negra que se faz brilhos nos olhos amarelos. Era pura e faminta. Aqui se abre um abismo entre eu e a fera, estamos no mesmo vão mas de lados opostos. Vejo-me nela e nada posso fazer até então.. Quem é o Outro? Quem é a Outra? Quem são eles que vem e vão todos os dias sempre do mesmo jeito, sempre de jeitos diferentes.. que não param, não esperam.. não há tempo, não há. É a sombra que esconde o Sol, que me filtra daquele extrato físico intocável e letal por princípio. Dá forma apenas no não-luz e se sofre, se condena, se entristece tanto, tanto.. no future.. É fogo não aceitar os pequenos deslizes que a vida traz, nada perfeito, nada tão ao acaso assim.. aos fluxos, aos instintos! Ah eu queria estar servido desse Outro que não sei quem é, nem da escura que está lá no outro lado, mas não vejo.. tenho medo de escutar as mentiras e ter de concordar, por escolha, por não saber a quem recorrer, sozinho, perde-se no Outro e não encontrar significado, nenhum de nada. Nem mesmo do próprio desejo, que corre nas veias inexplicáveis e às vezes falível.
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